{"id":3217,"date":"2023-07-19T16:57:20","date_gmt":"2023-07-19T19:57:20","guid":{"rendered":"https:\/\/sleder.adv.br\/?p=3217"},"modified":"2025-02-11T08:36:05","modified_gmt":"2025-02-11T11:36:05","slug":"contrato-de-namoro-e-uniao-estavel-uma-breve-analise-juridica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sleder.adv.br\/?p=3217","title":{"rendered":"CONTRATO DE NAMORO E UNI\u00c3O EST\u00c1VEL: UMA BREVE AN\u00c1LISE JUR\u00cdDICA"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"3217\" class=\"elementor elementor-3217\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-4a480e64 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"4a480e64\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-7472d3a1\" data-id=\"7472d3a1\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-a6cbe28 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"a6cbe28\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p><\/p>\n<p class=\"has-text-align-right\">                  Por Rita Schmitz <br>                                                                       Advogada <br>OAB\/PR n\u00b0 117.460<\/p>\n<p><\/p>\n<p><\/p>\n<p>O namoro, muito embora seja culturalmente conhecido como um relacionamento afetivo s\u00e9rio, para o ordenamento jur\u00eddico brasileiro n\u00e3o h\u00e1 qualquer natureza jur\u00eddica estabelecida, sendo considerado apenas como um status social derivado de um v\u00ednculo amoroso sem compromisso futuro e vontade de constituir fam\u00edlia\u00b9 .<\/p>\n<p><\/p>\n<p><\/p>\n<p>O contrato de namoro \u00e9 regido pelas normas gerais dos contratos previstas no C\u00f3digo Civil e adota os mesmos princ\u00edpios fundamentais do contrato, ou seja, \u00e9 valido de pleno direito se cumpridos os requisitos: agente capaz, objeto l\u00edcito, poss\u00edvel, determinado ou determin\u00e1vel, de forma prescrita ou n\u00e3o defesa em lei (art. 104 do C\u00f3digo Civil\u00b2 ).<\/p>\n<p><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o contrato de namoro tem por objetivo declarar que as partes vivem apenas um relacionamento amoroso sem muitas formalidades, buscando afastar o instituto da uni\u00e3o est\u00e1vel, o qual bem se sabe, tem como regime de bens a comunh\u00e3o parcial.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><\/p>\n<p>A doutrina adota dois conceitos de namoro, s\u00e3o eles: o namoro simples e o namoro qualificado. O primeiro diz respeito ao namoro compromisso e de curto per\u00edodo, desprovido de repercuss\u00f5es jur\u00eddicas, enquanto o segundo, pode ser confundido com a uni\u00e3o est\u00e1vel, por tratar-se de namoro p\u00fablico, cont\u00ednuo e duradouro, mas sem \u00e2nimo de constituir fam\u00edlia.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Nesse vi\u00e9s, o Tribunal de Justi\u00e7a do Paran\u00e1 j\u00e1 entendeu por reconhecer o namoro qualificado, afastando a configura\u00e7\u00e3o de uni\u00e3o est\u00e1vel, veja-se:<\/p>\n<p><\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"has-text-align-right\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; APELA\u00c7\u00c3O C\u00cdVEL. A\u00c7\u00c3O DE RECONHECIMENTO E DISSOLU\u00c7\u00c3O DE UNI\u00c3O EST\u00c1VEL POST MORTEM. SENTEN\u00c7A DE IMPROCED\u00caNCIA DOS PEDIDOS FORMULADOS NA INICIAL. RECURSO INTERPOSTO PELO AUTOR. INCONTROVERSO<\/p>\n<p><\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00b9 EUCLIDES DE OLIVEIRA, 2006 apud TARTUCE, Fl\u00e1vio. Direito de Fam\u00edlia: namoro \u2013 efeitos <br>jur\u00eddicos. S\u00e3o Paulo: Atlas, 2011. 256 p.<br>\u00b2 Art. 104. A validade do neg\u00f3cio jur\u00eddico requer:<br>I &#8211; agente capaz; <br>II &#8211; objeto l\u00edcito, poss\u00edvel, determinado ou determin\u00e1vel; <br>III &#8211; forma prescrita ou n\u00e3o defesa em lei.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"has-text-align-left\">RELACIONAMENTO AFETIVO ENTRE O APELANTE E O FALECIDO. RELACIONAMENTO P\u00daBLICO, CONT\u00cdNUO E DURADOURO, MAS SEM O INTUITO DE CONSTITUIR FAM\u00cdLIA. A CONVIV\u00caNCIA NA MESMA CASA N\u00c3O INDUZ, POR SI S\u00d3, \u00c0 CONFIGURA\u00c7\u00c3O DE UNI\u00c3O EST\u00c1VEL. RECONHECIMENTO DE NAMORO QUALIFICADO. AUS\u00caNCIA DE PREENCHIMENTO DE TODOS OS REQUISITOS PREVISTOS NO ARTIGO 1.723 DO C\u00d3DIGO CIVIL DE 2002. DANO MORAL.MANTIDA A IMPROCED\u00caNCIA. AUS\u00caNCIA DE ATO IL\u00cdCITO COMETIDO PELOS REQUERIDOS. AUS\u00caNCIA DE COMPROVA\u00c7\u00c3O DO DANO SOFRIDO. DECLARA\u00c7\u00c3O DE UM DOS R\u00c9US QUE HAVERIA UNI\u00c3O EST\u00c1VEL. DECLARA\u00c7\u00c3O EXTRAJUDICIAL A PEDIDO DE ADVOGADO DA OUTRA PARTE, SEM PROVA DE ESCLARECIMENTO DE DIFERENCA\u00c7\u00c3O ENTRE UNI\u00c3O EST\u00c1VEL E NAMORO QUALIFICADO, TERMOS T\u00c9CNICOS E DIFERENCIADOS QUE N\u00c3O S\u00c3O DE CONHECIMENTO DE PESSOA LEIGA. \u00d4NUS QUE CABIA AO AUTOR. ARTIGO 373, INCISO I, DO CPC. DANO MORAL N\u00c3O CONFIGURADO. MAJORA\u00c7\u00c3O DOS HONOR\u00c1RIOS RECURSAIS. RECURSO DE APELA\u00c7\u00c3O CONHECIDO E N\u00c3O PROVIDO. (TJPR &#8211; 11\u00aa C. C\u00edvel &#8211; 0002598-85.2018.8.16.0191 Curitiba &#8211; Rel.: DESEMBARGADOR SIGURD ROBERTO BENGTSSON &#8211; J. 20.04.2022) <br>(TJ-PR &#8211; APL: 00025988520188160191 Curitiba 000259885.2018.8.16.0191 (Ac\u00f3rd\u00e3o), Relator: Sigurd Roberto Bengtsson, Data de Julgamento: 20\/04\/2022, 11\u00aa C\u00e2mara C\u00edvel, Data de Publica\u00e7\u00e3o: 20\/04\/2022)<\/p>\n<p><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Atualmente, tem-se que a principal distin\u00e7\u00e3o entre o namoro qualificado e a uni\u00e3o \u00e9 o animus familiae, ou seja, a vontade ou n\u00e3o de estabelecer fam\u00edlia. Nesse sentido, Maria Berenice Dias define o contrato de namoro como \u201cum contrato para assegurar a aus\u00eancia de comprometimento rec\u00edproco e a incomunicabilidade do patrim\u00f4nio presente e futuro\u201d\u00b3 .<\/p>\n<p><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Todavia, a jurisprud\u00eancia tamb\u00e9m entende que o contrato de namoro n\u00e3o \u00e9 suficiente para afastar o reconhecimento da uni\u00e3o est\u00e1vel se havendo provas do desejo de constituir fam\u00edlia:<\/p>\n<p><\/p>\n<p><\/p>\n<p>CIVIL E PROCESSO CIVIL &#8211; APELA\u00c7\u00c3O C\u00cdVEL &#8211; A\u00c7\u00c3O DE RECONHECIMENTO E POSTERIOR DISSOLU\u00c7\u00c3O DE UNI\u00c3O EST\u00c1VEL C\/C PARTILHA DE BENS &#8211; AUS\u00caNCIA DE AFFECTIO MARITALIS &#8211; NAMORO QUALIFICADO. 1) Para que haja o reconhecimento da uni\u00e3o est\u00e1vel entre as partes faz-se necess\u00e1ria a comprova\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia de affectio maritalis, isto \u00e9, a vontade de constituir fam\u00edlia, o que, in casu, n\u00e3o ocorreu, tratando-se apenas de mero namoro qualificado. 2) Diante da inexist\u00eancia de uni\u00e3o est\u00e1vel, n\u00e3o h\u00e1 que se falar em partilha de bens. 3) Apelo n\u00e3o provido.<br>(TJ-AP &#8211; APL: 00232844920188030001 AP, Relator: Desembargador GILBERTO PINHEIRO, Data de Julgamento: 11\/03\/2021, Tribunal)<\/p>\n<p><\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00b3 DIAS, Maria Berenice. Manual de Direito de Fam\u00edlia. 7. ed. S\u00e3o Paulo: RT, 2010. 181 p.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Assim, atrav\u00e9s do contrato de namoro, as partes declaram que trata-se apenas de uma rela\u00e7\u00e3o de namoro qualificado e estipulam que n\u00e3o haver\u00e1 divis\u00e3o de patrim\u00f4nio atual e\/ou futuro, utilizando-o como prova de que n\u00e3o h\u00e1 qualquer elemento capaz de configurar uni\u00e3o est\u00e1vel e portanto, a rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o produzir\u00e1 qualquer efeito jur\u00eddico.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><\/p>\n<p><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Rita Schmitz Advogada OAB\/PR n\u00b0 117.460 O namoro, muito embora seja culturalmente conhecido como um relacionamento afetivo s\u00e9rio, para o ordenamento jur\u00eddico brasileiro n\u00e3o h\u00e1 qualquer natureza jur\u00eddica estabelecida, sendo considerado apenas como um status social derivado de um v\u00ednculo amoroso sem compromisso futuro e vontade de constituir fam\u00edlia\u00b9 . 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